Showing posts with label Quacres. Show all posts
Showing posts with label Quacres. Show all posts

Quacres e o Prêmio Nobel de 1947

Por Gunnar Jahn

O Comitê Nobel do Parlamento Norueguês concedeu o Prêmio Nobel da Paz deste ano aos quacres, representados por suas duas grandes organizações de socorro: Friends Service Council em Londres e American Friends Service Committee na Filadélfia.

Já faz trezentos anos desde que George Fox fundou a Sociedade Religiosa dos Amigos. Foi durante o tempo da guerra civil na Inglaterra, um período cheio de conflitos religiosos e políticos que levaram ao Protetorado de Cromwell - hoje, sem dúvida, nós chamaríamos de ditadura. O que aconteceu então foi o que muitas vezes acontece quando um movimento político ou religioso é bem sucedido: perdeu-se a preocupação original: o direito à liberdade. Pois, tendo alcançado o poder, o movimento então se recusou a conceder aos outros as coisas pelas quais lutaram. Tal foi o caso dos presbiterianos e depois deles os independentes. Não foi o espírito de tolerância e a humanidade que emergiram vitoriosos.

George Fox e muitos de seus seguidores experimentaram isso durante os anos seguintes, mas eles não aceitaram a luta armada, como costumam fazer os homens. Eles seguiram o caminho silenciosamente porque se opunham a todas as formas de violência. Os quacres acreditavam que as armas espirituais prevaleceriam no longo prazo - uma crença nascida da experiência interna. Eles enfatizaram a própria vida particular porque as teorias e dogmas nunca foram importantes para eles. Os quacres, portanto, desde o início foram uma comunidade sem organização fixa. Isso lhes deu uma força interior e uma visão mais livre da humanidade, uma maior tolerância em relação aos outros do que é encontrada na maioria das comunidades religiosas organizadas.

Oito fatos radicais sobre Benjamin Lay

Fato 1: Benjamin Lay nasceu com nanismo em 1682. Ele nunca se viu "diminuído" ou inferiorizado de qualquer maneira. De fato, sua vida como anão era fundamental para sua empatia com os negros escravizados, os pobres, com os animais e com todo o mundo naturalista.

Fato 2: Benjamin Lay não foi formalmente educado ou "esclarecido", o que poderia explicar o fato de que tenha sido negligenciado na história abolicionista. Era autodidata. Os homens de seu tempo que tinham uma boa margem de educação e cultura apoiavam a escravidão ou possuíam escravos, como Thomas Jefferson. É exatamente contra isso que Benjamin Lay reagiu.

Fato 3: Benjamin Lay trabalhou em vários ofícios, incluindo como pastor, marinheiro e comerciante. Suas ideias sobre o abolicionismo decorrem de sua experiência como trabalhador comum. A história do movimento antiescravista tem sido amplamente associada às elites "iluminadas", como Voltaire e Denis Diderot.

Fato 4: De 1718 a 1720, Benjamin Lay viu em primeira mão as atrocidades da escravidão durante sua experiência em Barbados, onde desenvolveu relações pessoais com os escravizados. Ele veria as mesmas atrocidades na Pensilvânia.

Voltaire sobre os quacres

Por Voltaire

Vocês já ouviram que os quacres são datados de Cristo, que, segundo eles, era o primeiro quacre. A religião, por exemplo, foi corrompida um pouco depois da morte Jesus Cristo, e permaneceu nesse estado de corrupção por cerca de mil e seiscentos anos, havendo sempre alguns quacres escondidos no mundo, que cuidadosamente preservaram o fogo sagrado, que se extinguiu em todos, exceto neles, até que finalmente essa luz se espalhou na Inglaterra em 1642.

http://hayquaker1.blogspot.com.br/2010/11/what-voltaire-had-to-say-about-quakers.html

Benjamin Lay: um abolicionista cristão esquecido

Benjamin Lay (1677-1759) era um comerciante quacre que, juntamente com Ralph Sandiford e Anthony Benezet, foi um dos primeiros opositores da escravidão na América colonial. Ele nasceu na Inglaterra, viveu dez anos em Barbados e mudou-se para Filadélfia. Lay atraiu grande atenção durante a década de 1730 na Pensilvânia e em Nova Jersey por sua oposição vociferante à escravidão e aos proprietários de escravos na comunidade quacre.

Resultado de imagem para benjamin layLay teve um talento teatral que acompanhou sua retórica anti-escravista. Em uma ocasião, ele denunciou os proprietários de escravos como homens de guerra.

Em outra ocasião, ele ficou de pé descalço na neve diante de uma casa de reunião para protestar contra a escravidão. Certa vez ele sequestrou um filho de proprietários de escravos quacres para demonstrar como os africanos se sentiram quando seus filhos foram tomados à força; logo depois ele devolveu a criança.

All Slavekeepers that Keep the Innocent, Apostates (1737) foi o único trabalho publicado pela Lay. Seu amigo Benjamin Franklin imprimiu o trabalho. Foi um dos mais veementes textos contra a escravidão no mundo colonial já escrito.

Cristianismo, quacres, escravidão e abolicionismo

A campanha abolicionista na Grã-Bretanha foi iniciada pela Sociedade Religiosa dos Amigos. Os quacres acreditam que todas as pessoas são criadas iguais aos olhos de Deus. Neste caso, como pode uma pessoa ser considerada uma propriedade da outra? A oposição quacre inicia-se em 1657, quando seu fundador, George Fox, escreveu para os quacres de outras partes do mundo que tinham escravos indígenas e negros para lembrar-se da crença quacre de igualdade. Ele depois visitou Barbados. Na sua pregação, exigiu um melhor tratamento para pessoas escravizadas, sendo o texto publicado em Londres em 1676 sob o título de Ordem da Família do Evangelho. Segundo Fox:
"Agora eu digo, se essa fosse as vossas condições [de escravidão], vocês pensariam que é uma medida difícil, sim, e uma grande crueldade. E, portanto, considerem seriamente isso. Façam vocês por e para eles [escravos] como vocês gostariam que fizessem para si mesmos ou outro qualquer fizessem para vocês se estivessem em uma condição de escravidão."
Por volta de 1727, os quacres começaram a expressar sua oficial desaprovação do comércio de escravos e sugeriram reformas. Em meados de 1750, um grande número de quacres nas colônias americanas começaram a se opôr a escravização. Eles visitaram proprietários de escravos e pressionaram autoridades inglesas para a ação. Em 1761, os quacres tinham visto a abolição como um dever cristão e todos os quacres, dos dois lados do Atlântico, eram impedidos de possuir escravos. Todos os membros que não se conformaram eram censurados.

A petição abolicionista de 1688 em Barbados

Em 18 de abril de 1688, o primeiro protesto escrito contra a escravidão no Novo Mundo foi redigido na casa de Thönes Kunders, em Germantown, que hospedou as primeiras reuniões da Sociedade Religiosa dos Amigos em Barbados. 
 
Os signatários da proposta ficaram perturbados com um fato alarmante: muitos dos quacres da Filadélfia tinham escravos. No momento do protesto, seis anos após a fundação da Filadélfia, cerca da metade dos quacres britânicos, incluindo o fundador da Pensilvânia, William Penn, possuíam escravos. 

Embora os quacres tenham chegado ao Novo Mundo para escapar da perseguição religiosa vivida na Inglaterra, muitos deles não viram nenhuma contradição na posse de escravos, desde de que não cometessem maus tratados. 

To The Life of God in All {James Nayler's Confession}

The love of that precious life of Christ Jesus in me, constrains me (as the light thereof arises) to declare to all people, and to generat...